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Adilea da Silva

Crochê para presentear em retribuição à vida

Entre as 12 mulheres que dão vida ao Calendário 2027, a professora aposentada Adilea Rodrigues da Silva, 76 anos, foi uma das primeiras pacientes da Oncomed. O seu prontuário é o de número 17! É que ela chegou na clínica em janeiro de 1996, dois meses após a inauguração, e pouco tempo depois de ter descoberto um tumor no ovário, em novembro de 1995, quando tinha 45 anos. Na época, Adilea já morava na Vila de Maringá, no distrito de Visconde de Mauá, em Resende, região serrana do Estado do Rio, passou pela cirurgia no Instituto Nacional do Câncer (Inca), mas precisou de quimioterapia. 

 

“Para seguir com o tratamento, lá no Inca me indicaram o doutor Alexandre Coury, que tinha o meu plano e acabara de inaugurar a Oncomed na casa da sua família, no bairro de Icaraí, em Niterói. Ele me recebeu muito bem e sempre foi um médico muito humano, maravilhoso... E a gente chamava de casinha a clínica que hoje é referência em oncologia no Grande Rio. Imaginem... E eu acompanhei toda essa trajetória porque, além do primeiro tumor, tive metástase no peritônio em 2011 e em 2014, e de novo precisei de cirurgia e quimios. Mas venci todos e há dez anos sigo apenas com exames de rotina”, comemora Adilea, que não teve filhos e durante o tratamento adotou o crochê como hobby. “Depois do câncer a gente passa a priorizar tantas coisas...”. 

 

A história da mudança de Adilea para Maringá começou em 1989, aos seus 40 anos, quando essa professora muito atuante da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro foi descansar do desgaste do movimento grevista da categoria no sítio de uma amiga em Santo Antônio do Rio Grande, ao lado de Mirantão, distritos da cidadezinha mineira de Bocaina de Minas, perto de Visconde de Mauá. Lá ela conheceu Klaus, um tradutor europeu com 50 anos que havia trocado a Estônia pelo Brasil para ser apicultor. Em poucos meses casaram, Adilea conseguiu transferência para uma escola da região e foram morar em Maringá. A vida seguiu tranquila e feliz por cinco anos, até eles serem surpreendidos pelo câncer. 

 

“Foi muita luta, um tumor atrás do outro e Klaus sempre ao meu lado me fortalecendo. Eu sou católica e caminhei com muita fé. Me agarrei à Nossa Senhora Aparecida e tive muito apoio de familiares e amigos de Niterói, onde eu precisava ficar alguns dias por conta do tratamento. Tudo isso foi fundamental para a minha cura, assim como o crochê, que passou a ser uma verdadeira terapia”, lembra Adilea.

 

Em 2022, Adilea enfrentou o câncer de próstata do marido, que não resistiu e faleceu no ano seguinte. “Eu sinto muita falta dele. O Klaus foi o meu maior amigo e me deu ótimos anos de vida. E pelo que vivemos em Maringá, continuei na região onde fiz amigos e encontro a paz para me dedicar cada vez mais ao crochê. Mas não vendo. Faço para presentear, pois fui muito presenteada pela vida”, diz Adilea.

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