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Ana Meri Rosa

O encontro com momentos mais intimistas

Aos 35 anos, Ana Meri Rosa de Jesus, mesmo sem ser casada, decidiu ter um filho. O namorado topou e ela fez um plano de saúde para ter toda a estrutura na gravidez e no parto. Nem de longe Meri poderia imaginar que aquele seu projeto teria uma outra finalidade. É que, três meses depois, ela descobriu um tumor na mama no banho, procurou a ginecologista e fez os exames que confirmaram o câncer. Era março de 2013 e ela teve que esperar cinco meses, até agosto daquele ano, pelo fim da carência do plano para ser operada pelo mastologista e cirurgião oncológico Rodrigo Souto, seguir com a sessões de quimio e radioterapia na Oncomed sob os cuidados da oncologista Júlia Cordeiro e por mais nove anos com a hormonioterapia à base do medicamento tamoxifeno. 

 

“Do nada decidi engravidar por sentir que a idade estava avançando, e até parei de tomar o anticoncepcional, mas no meio do caminho veio o furacão chamado câncer. Hoje entendo que aquela vontade repentina foi a proteção divina agindo em minha vida. Sou evangélica, mas não frequento muito a igreja. Mas Deus é tudo! Eu sinto a presença dele em mim o tempo todo”, garante Meri, que no começo do tratamento dispensou o namorado, nunca engravidou e após vencer a doença trocou as noitadas e tardes de pagode por momentos mais intimistas, priorizando ir com amigos a restaurantes ou ficar em casa curtindo um filme ou uma série na tevê. 

 

Meri acabou mesmo não tendo filhos. Os biológicos, porque desde os seus 15 anos (há mais de 35 anos) ela trabalha como babá, sempre vivendo num universo de crianças. Começou perto de casa em Itaboraí, mas em 2008 foi com um casal e o filhinho para Juiz de Fora, Minas Gerais, e em 2011 abraçou a oportunidade de trabalhar em Icaraí, Niterói, e está há 15 anos com a atual família, cuidando de dois meninos: um de 15 e outro de 12 anos.

 

“Dei muita sorte, pois vim trabalhar com eles dois anos antes de descobrir o câncer, e eles me deram todo o apoio. Até porque o meu patrão é médico e a irmã da minha patroa também. E adivinhem qual a especialidade? Oncologista! A Julia é maravilhosa e segue cuidando de mim, assim como o doutor Rodrigo. São mesmo dois queridos”, diz.  

 

Além da fé e da família com a qual trabalha, Meri contou com o apoio incondicional da sua única irmã, Ana Paula, que trabalha na mesma casa que ela; dos pais que, mesmo separados há muitos anos, são amigos e moram perto; e das amizades que ela construiu ao longo da vida. “Tive muito apoio, em especial, da minha patroa. Ela é o nosso anjo, o meu e de toda a minha família. Minha gratidão é eterna, eles são simplesmente maravilhosos. Essa família muito me ajudou a enfrentar o maior desafio da minha vida”, destaca Meri. 

 

Após a batida de segunda à sexta-feira de dormir no emprego, a babá segue nos fins de semana para sua casa em Itaboraí. Antes do câncer ela, literalmente, entrava e saía para mudar de roupa de acordo com o novo programa que surgia. Mas depois da doença, Mari ficou mais vaidosa, gosta de comprar roupas e caprichar no trato dos cabelos e das unhas em gel e decidiu até fazer a cirurgia para a colocação da prótese mamária. Isso depois de 13 anos da operação para a retirada de um quadrante da mama.

 

Perguntada o que recomenda a quem passa pelo câncer, ela responde com toda a certeza: “Nunca fique triste, não se vitimize e não esconda a doença. Ao contrário, encare de frente, busque o tratamento, se cuide e lute para vencer. E nada de choro. Eu mesma só chorei um único dia, ao sair do consultório do doutor Rodrigo com a confirmação do câncer. Eu chorei esse dia todo, mas depois percebi que não adianta a gente se vitimizar. É dizer e mentalizar que vai vencer e seguir”, concluiu Meri.

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