
Eliane Fernandes
Um dia de cada vez
“É do consultório do doutor Sérgio? Não? Ah, então desculpa. Caiu errado! Estou procurando um mastologista. Obrigada”. Mas antes que Eliane Gonçalves Fernandes desligasse, a secretária do outro lado da linha que ela acabara de discar (sim, porque há 13 anos ainda era assim, telefone fixo discado) respondeu rapidamente: “Espera. Aqui também é o consultório de um mastologista”. Foi como Eliane, então com 47 anos, chegou ao mastologista e cirurgião oncológico Rodrigo Souto.
“Eu descobri um tumor na mama nos exames de rotina, tinha pressa e nem procurei a ginecologista. Fui direto no livrinho do meu plano e vi o nome de um especialista em São Gonçalo, onde moro. Mas não sei como, e eu digo que foi coisa de Deus, caiu no consultório do doutor Rodrigo, simplesmente um anjo na minha vida. Consegui um encaixe, ele me examinou, disse que era um carcinoma pequeno e que iria me operar. Em um mês eu estava no centro cirúrgico com ele, que depois me encaminhou para a Oncomed, onde até hoje faço acompanhamento com outro médico maravilhoso, o doutor Victor Marcondes. E sigo vivendo um dia de cada vez”, diz Eliane.
A história de Eliane com o câncer começou dois anos antes de descobrir a doença, quando a família enfrentou um período de grandes perdas. A primeira foi a sogra que faleceu em decorrência de um câncer de pâncreas. Um ano depois, o marido Arlindo, com quem vive desde os 18 anos de idade, recebeu o diagnóstico de Parkinson.
“Sempre tive saúde e uma vida harmoniosa com o meu marido e nossos dois filhos, que nos deram três netos. Mas de repente passamos a enfrentar muitos desafios e eu sentia como se o mundo estivesse caindo na minha cabeça... Tudo isso me abalou bastante e acho que teve a ver com o câncer”, destaca Eliane, professora aposentada que segue em sala de aula de uma escola grande da cidade onde vive.
E é justamente nessa escola em que trabalha que Eliane, hoje aos 60 anos, termina o seu dia pelo menos duas vezes por semana, praticando o que transformou em prioridade na sua vida após o câncer: a hidroginástica, atividade que interrompeu por um período por conta da doença do marido, mas que hoje não abre mão.
“Após o câncer a gente passa a valorizar muito mais a vida, a priorizar coisas que gostamos e nos fazem bem. É o caso da hidroginástica, que me faz relaxar e focar em viver um dia de cada vez, na certeza de que Deus sempre nos dá o cobertor para abrandar o nosso frio. Um exemplo? Quando comecei a tratar o câncer, meu marido estava afastado do trabalho por conta do Parkinson e pode me acompanhar na fase punk da quimio e também da radioterapia, que era no Rio”, conta Eliane, que é católica e se fortaleceu na religião e na família.
Recentemente, Eliane perdeu o irmão de 61 anos com câncer de pulmão, mas ela segue firme com a sua fé por acreditar que nada é por acaso. “É aviso ou aprendizado... Depois do câncer eu revi alguns conceitos, mudei algumas posturas e passei a olhar mais pra mim, me dando mais oportunidade de vida. Eu tive muito suporte psicológico e graças a Deus tudo deu certo. Na verdade, eu sempre tive muito Deus na minha vida, e com a doença a gente fica ainda mais fortalecida”, garante a professora que tomou tamoxifeno até 2019, e desde então faz a consulta anual de acompanhamento com o oncologista Victor Marcondes.
Sobre um conselho para quem enfrenta a doença, Eliane garante que o importante é não perder as esperanças, caminhar com fé e foco e levar o tratamento realmente a sério. “Quando a gente recebe a notícia do câncer, sente que o mundo está desabando. E é muito importante que as pessoas saibam disso para terem força de caminhar, porque aí vem o tratamento e, se estivermos firmes, sentiremos essa força brotar lá de dentro. As coisas começam a andar e a gente percebe que tem chance, que há outras possibilidades. Ainda mais cercado de profissionais competentes, que dão suporte e oferecem um tratamento humanizado, como a equipe da Oncomed e da PróOnco. E precisamos muito disso, porque não estamos falando de um ano. No meu caso, foram cinco anos de tratamento e 13 anos desde que descobri o câncer, mas continuo em eterna vigilância.
