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 Eliane Portugal

Pilates, paixão descoberta após a doença

Aos 80 anos, Eliane Portugal é a que tem mais idade do grupo das 12 mulheres homenageadas no Calendário 2027. Só na certidão, porque no dia a dia essa professora aposentada tem muita vitalidade. Ela sempre adorou caminhar, mas depois de tratar o câncer de mama ela passou a fazer a atividade todos os dias e descobriu uma nova paixão, o pilates, que há cinco anos faz religiosamente duas vezes por semana.


Mas o tumor que exigiu a mastectomia total (retirada da mama) não foi o primeiro. Em 1999, aos 53 anos, Eliane sentiu de repente fortes dores abdominais, buscou atendimento médico e identificou um câncer de intestino que operou de urgência e em um mês estava praticamente nova em folha. “Foi tudo muito rápido e em um mês eu já estava livre de tudo. Só fiz mesmo a cirurgia, dizia que estava curada e voltei logo a trabalhar. Eu até brincava dizendo que era coisa do século passado”, recorda Eliane, que nessa época iniciou o acompanhamento na Oncomed com o oncologista Alexandre Coury.


Como resquício da doença, Eliane ficou com receio de comer qualquer coisa e fazer mal à saúde. Mas logo perdeu o medo e seguiu com a vida tranquila, morando com o marido no sítio em Várzea das Moças, e em interação com os quatro netos, as noras e os dois filhos, apesar de um deles residir há 30 anos em Mambucaba, Angra dos Reis, por ser engenheiro da Usina Angra 2. Tudo foi muito bem até seus 69 anos, quando em 2015 Eliane - que fazia e segue fazendo preventivo todo ano - notou uma mancha escura na mama, procurou o ginecologista e ouviu o que temia: era um segundo câncer.


“O primeiro tumor eu tirei de letra, mas o segundo diagnóstico foi um balde de água fria. Eu fiquei muito abalada, precisei tirar toda a mama e fazer quatro sessões de quimio que me destruíram, me deixavam muito fraca e com um cansaço absurdo. Com o apoio da família e de amigos, e fortalecida pela minha fé (Eliane é espírita), eu consegui vencer. O curioso é que só no fim das quimios fui abatida por uma tristeza profunda que me impedia de me voltar a me ver no espelho. Mas logo procurei ajuda, em dois meses saí da depressão e me tratando com tamoxifeno”, conta Eliane, que já convivia com o Alzheimer do marido falecido em 2021, aos 86 anos, após mais de três décadas de uma grande parceria, como ela gosta de dizer.


Eliane, que concluiu em 2022 o uso do tamoxifeno, continua com o acompanhamento anual de controle oncológico e segue esperando viver até algum dos netos lhe dar um bisneto. “Mas sem estresse, pois com o câncer aprendi a viver um dia de cada vez. Até porque Deus é quem sabe de todas as coisas. Então, o que importa é não ficar se lamuriando, continuar com otimismo e alegria e enfrentar a jornada com coragem e fé. Graças a Deus, a minha comunicação com o divino é muito grande, o que me ajudou muito no processo de recuperação”, destaca Eliane.


Atrelado à fé, Eliane vez por outra recebe em casa (agora um apartamento em Santa Rosa) os netos até com as namoradas, como em jogos de domingo para torcerem juntos pelo Flamengo. “É que somos todos flamenguistas e fica animado. Ainda mais depois que o meu marido partiu. Às vezes eles até dormem aqui”, diz Eliane. E ela ama! Mas, claro, desde que não atrapalhe o seu pilates...

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