top of page
DSC01889.jpg

Fátima Belchior

A leitura como grande companheira

O câncer de mama diagnosticado em 2005 desencadeou na jornalista Fátima Belchior, na época com 51 anos, muito mais do que a batalha pela vida. Após a cirurgia conservadora realizada pelo cirurgião oncológico Rodrigo Souto e as sessões de quimioterapia e radio, essa hoje aposentada fez da leitura uma das prioridades no seu dia a dia. O que até então era muitas vezes obrigação por conta do trabalho, passou a ser, desde o tratamento, um hábito muito prazeroso, pois ela lia de tudo um pouco. “Tive uma rede de apoio incrível, mas os livros me acompanharam em todos os momentos”, diz Fátima.


Em busca de informação, acolhimento e novas perspectivas, a jornalista mergulhou em romances, livros de autoajuda, biografias e obras sobre a doença. Os livros viraram companhia, conforto e um caminho para Fátima compreender melhor o que estava vivendo. E foi justamente por conta da leitura que ela fez amigos especiais, como seu Jorge, dono da livraria O Livreiro de Icaraí, espaço que ela frequenta desde a inauguração, há seis anos. O hobby a aproximou até do próprio oncologista Luiz Henrique Guedes, que a acompanhou em todo o tratamento na Oncomed.


“Descobri que o Luiz Henrique também ama livros e filmes, e aí nas consultas conversávamos sobre o que a gente lia e via no cinema, em uma troca muito prazerosa. Aliás, até hoje trocamos porque vez por outra nos encontramos ao acaso no Reserva Cultural. O vínculo nasceu da medicina, mas o fortalecimento da amizade veio de uma paixão em comum: os livros e filmes. Essa relação humanizada fez toda a diferença no tratamento. Sentir-se acolhida, ouvida e tratada torna o caminho menos pesado”, diz Fátima.


Livre da doença há 22 anos, ela acredita que sua vitória foi construída sobre diferentes pilares: o apoio incondicional da família, o conhecimento da medicina, a dedicação dos profissionais que a acompanharam e a força que encontrou nas páginas dos livros. “A leitura foi minha grande companheira. Mas recebi muito apoio da família, e até o carinho da cuidadora da minha mãe, que providenciava uma alimentação sempre perfeita. Tive também o suporte do meu sobrinho que era jovem, mas saía do escritório em que estagiava no Rio e me acompanhava na travessia de barca para Niterói”, lembra a jornalista que não tem filhos. Fátima faz questão de registrar o que considera um dos diferenciais em seu tratamento e cura. “Desde o dia em que eu soube da doença eu acreditei muito na ciência e nos médicos, e segui sempre com fé nisso. Assim foi até o fim, e nunca faltei um dia sequer ao trabalho.


Comprei uma peruca e ia todos os dias de Niterói para o Rio trabalhar normalmente. Dentro de todo este contexto, a literatura e o cinema foram meus grandes parceiros para seguir em frente. A arte é uma aliada da superação”, destaca.

bottom of page