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Fernanda Bastos

Por mais sol e clima de praia

A rotina de vida de Fernanda Pardal sempre foi intensa. Professora da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro, esposa, mãe de dois filhos e apaixonada pela corrida, ela jamais imaginou que, aos 32 anos, teria sua vida atravessada por um diagnóstico de câncer. Isso em 2017, quando durante o banho ela percebeu um volume diferente na mama, procurou o ginecologista e ouviu que não havia motivo para se preocupar.

 

Seis meses depois, aquele pequeno sinal havia se transformado em um conglomerado de cistos. A biópsia confirmou o carcinoma, exigiu a cirurgia para a retirada da mama seguida das sessões de quimioterapia e radioterapia e revelou a dura notícia: era um tumor triplo negativo, do tipo mais agressivo da doença, e apesar do tratamento, o câncer continuou avançando.

 

Só em 2019 é que Fernanda encontrou um novo caminho ao mudar da clínica em que se tratava no Rio de Janeiro e conhecer o oncologista Marcos Saramago, com quem continua o acompanhamento na Oncomed. “O doutor Marcos é um querido e muito acolhedor, que nasceu para ser médico e cuidar das pessoas”, afirma Fernanda, que sob os seus cuidados, enfrentou 14 sessões de quimioterapia e diversas rádios, e segue na hormonioterapia com o tamoxifeno.

A corrida que fazia parte da sua rotina precisou ser interrompida durante o tratamento que trouxe muitos ensinamentos e fez nascer outras prioridades em Fernanda. “Eu era muito possessiva em relação aos meus filhos. Não deixava eles com ninguém. Mas quando você se vê numa situação que pode morrer, entende que não dá pra dificultar a vida dos filhos. Isso é um egoísmo e hoje sou uma mãe com total desprendimento deles, pois percebi que eu não me enxergava, que cuidava do outro, mas não de mim, e o câncer é resultado disso. Hoje a prioridade sou eu”, garante Fernanda. 

 

Esta última frase da Fernanda resume a forma como decidiu encarar a doença: com responsabilidade, coragem e vontade de viver. E apesar de tudo o que enfrentou, ela nunca permitiu que o medo conduzisse a sua vida. "Não tenho medo de morrer. Tenho medo de facilitar a minha morte. Por isso me cuido e me priorizo". Tanto que ela foi à luta, parou de fumar e beber e emagreceu 15 quilos. E mais: olhando mais para si, aprendeu a respeitar os seus limites e a valorizar os pequenos prazeres da vida. A maior surpresa veio justamente de onde menos esperava. Entre o sol, o mar e a brisa, Fernanda encontrou um refúgio, um lugar onde renova as forças para continuar enfrentando a doença. Mais do que um cenário de lazer, a praia tornou-se símbolo de recomeço, leveza e esperança.

 

"Eu não gostava de praia, e hoje sou completamente apaixonada, não consigo viver sem ir à praia e me inserir naquele cenário de contemplação", revela. 

 

Fernanda segue escrevendo a sua história com a mesma dedicação que sempre levou para a sala de aula. Sua trajetória reforça uma mensagem importante: conhecer o próprio corpo pode salvar vidas. O toque que ela mesma fez durante um banho foi o primeiro passo para descobrir a doença. “Eu sempre me toquei”, assegura. 

 

Hoje, sua história inspira outras mulheres a se observarem, buscarem acompanhamento médico diante de qualquer alteração e, acima de tudo, acreditarem que é possível seguir em frente, encontrando novos motivos para sorrir, mesmo depois das maiores tempestades. “Receber um diagnóstico de câncer pode abalar o chão, mas também pode ser o primeiro passo de uma jornada de esperança, superação e mudança”, conclui Fernanda.

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