
Maria Cecilia Zarrat
Nas viagens, a razão de viver
De Niterói para o mundo, literalmente... Assim tem sido a vida da aposentada Maria Cecília
Sarrat nos últimos 20 anos. Além de todos os estados do Nordeste, Sul e Sudeste do Brasil,
ela tem um passaporte com carimbos de cinco países da América do Sul, dois da América
do Norte, três da Europa e um da África. Desde que venceu o câncer de mama, ela fez do
hobby de viajar a sua razão de viver. Quase isso, pois perde para o desejo de ser avó,
torcendo para que Gabriel, seu único filho de 38 anos, lhe dê um neto.
Servidora pública, Cecília tinha 45 anos e era divorciada com o filho adolescente de 16 anos
quando descobriu um tumor na mama direita. Por intermédio de uma prima que trabalhava
no Instituto Nacional do Câncer (Inca), ela chegou ao cirurgião oncológico Luiz Maltoni, um
dos diretores da instituição. Ele fez a quadrantectomia (cirurgia conservadora) em um
hospital do Rio de Janeiro e a encaminhou para a quimioterapia e a radioterapia. Mas para
facilitar, Cecília pediu indicação do tratamento em Niterói, onde mora, surgindo o nome do
oncologista Alexandre Coury.
“O doutor Maltoni olhou a lista de oncologista do meu plano de saúde e logo apontou para o
nome do doutor Alexandre, que tinha sido aluno dele no Inca. Foi assim que cheguei em
2004 na casinha, como a gente chamava a Oncomed, e fui maravilhosamente recebida pelo
doutor Alexandre, que segue cuidando de mim. Mas só pra acompanhamento, pois tive alta
em 2010, ao concluir os cinco anos do tamoxifeno”, lembra Cecília.
Com o apoio total da família e amigos, e muita fé em Deus, Cecília, que é espírita, lutou e
venceu a doença. Dois anos após a cirurgia, ela fez a reparadora e se sentiu plena. “Ficou
tão bom que logo arrumei um marido”, brinca, fazendo questão de frisar que ele foi um
presente de Deus na sua vida. “Conheci o Milton na casa dele em Arraial do Cabo. Fomos
apresentados por uma amiga em comum, ele não tirou mais o olho de mim e em pouco
tempo nos casamos. Eu tinha 47 anos e ele 50, e vivemos 20 anos divinos, até que em
2025, apesar de todos os esforços e cuidados da equipe maravilhosa da Oncomed, um
câncer avassalador no intestino o roubou de mim em 40 dias”, lamenta Cecília.
O câncer do marido não foi o único que Cecília teve que conviver após o seu. Em 2019, sua
mãe, então com 86 anos, foi operada de um tumor na mama pelo cirurgião oncológico
Rodrigo Souto, tratada também pelo oncologista Alexandre Coury, ficou curada e hoje está
com 92 anos.
“A Oncomed não solta a mão da gente. Além de mim, tive esse exemplo com o meu marido
e a minha mãe. Eles são mesmo maravilhosos. Mas tem hora que quem resolve é Deus, não
somos nós. E isso não quer dizer que não vamos lutar. Temos que encarar o tratamento e
acreditar. Desistir de jeito nenhum. É viver essa dor e entender o aprendizado que ela nos
traz. Acredito que a doença vem pra gente refletir e perceber o que está acontecendo e
buscar a mudança desta página”, diz Cecília, que ao conceder esta entrevista tinha acabado
de voltar da festa do inhame em Rio Bonito de Cima, na região serrana de Lumiar, já
combinando com as amigas uma viagem para países da Europa Central em 2027.
